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CHECK UP - Dra. Alessandra Nunes Oliveira
Dra. Alessandra Nunes Oliveira - Especialista em clínica médica e medicina preventiva
A lógica do check up é simples: se uma doença é detectada em estágio inicial, maior é a chance dela ser curada. Evidentemente ,trata-se de uma lógica produzida pelos avanços na medicina como um todo. Se houvesse algum tipo de check-up no início do século XX, ele só serviria para causar preocupação ao paciente, visto que não existia tratamento para a maioria das doenças graves.
As estatísticas a respeito dos benefícios do check-up são impressionantes, explica a Dra. Alessandra Nunes Oliveira, especialista em clínica médica e medicina preventiva. “De nada adianta a tecnologia se ela não for empregada no caso certo”. “Em cada pessoa devem ser investigadas doenças diferentes. Nem todo mundo tem propensão aos mesmos problemas de saúde”. Nos primórdios dos check-ups simplesmente se ignoravam as evidências. Todos os pacientes passavam pela série completa de exames.
Esse conjunto de exames que se popularizou nos anos 60, derivado da intensa investigação médica a que se submetiam os astronautas americanos, desenvolveu-se a tal ponto que se transformou na principal arma de prevenção de várias doenças. Nos últimos vinte anos, os exames se tornaram menos invasivos e incrivelmente mais precisos. A tecnologia hoje disponível permite aos médicos não só identificar com precisão a origem de sintomas como também antecipar a descoberta de certas doenças. A nova filosofia do check-up, no entanto, descarta a prescrição aleatória de dezenas de testes. Em vez de uma série completíssima, os médicos preferem cada vez mais pedir o check-up personalizado, com base num exame clínico minucioso, na faixa etária do paciente e em consulta prévia que levanta o histórico de saúde familiar e hábitos de vida.
Sabemos que não existe uma idade certa para fazer um check-up,mas recomenda-se que a partir dos 40 anos seja realizado de dois em dois anos, já os idosos devem fazer uma vez ao ano ou de acordo com o seu médico. Nesse ritual médico, são verificados praticamente todas as funções vitais e identificados os fatores de risco potenciais de doenças. A intenção é conferir o estado geral do organismo.
Confira a seguir os 13 exames básicos recomendados.
1 Pressão arterial Deve ser medida, no mínimo, uma vez por ano. A hipertensão é a vilã do envelhecimento bem sucedido. Na terceira idade, pressão alta é fator de risco cardíaco. Trata-se da principal causa de derrames e doenças coronarianas.
2 Colesterol A análise laboratorial de sangue mede a quantidade de colesterol e triglicérides, tipos de gorduras que predispõem o corpo a formar placas responsáveis pelo entupimento das artérias, podendo acarretar infarto, isquemia e derrame.
3 Glicemia
Por meio de um simples exame de sangue, é medido o índice de taxas de açúcar no organismo, o que indica a existência ou não de diabetes. Se essa doença for detectada no começo, caem para 50% os riscos de complicações, como cegueira e amputação de membros.
4 Eletrocardiograma Diagnostica arritmias cardíacas e obstruções nas artérias coronárias. O eletrocardiograma (com o paciente em repouso) registra impulsos elétricos que controlam a atividade do coração. O teste ergométrico, também recomendado, é realizado sob esforço (anda-se na esteira ou na bicicleta), revelando se há baixa irrigação sanguínea no órgão vital.
5 Colonoscopia
Maneira segura e eficiente de verificar a saúde do reto e do cólon (intestino grosso), é capaz de identificar a lesão benigna que precede o câncer de intestino. Mas o exame requer ingestão de laxantes. Deve ser realizado rotineiramente a partir dos 50 anos.
6 Sangue nas fezes Detecta possíveis lesões no trato gastrointestinal. Talvez seja o exame menos realizado e menos pedido pelos médicos em um check-up, mas tem um dos maiores impactos preventivos na mortalidade. A descoberta do câncer de intestino precoce pode reduzir em 30% o número de óbitos por câncer de intestino.
7 TSH
Se existirem disfunções da glândula tireóide, elas aparecem nesse exame. A partir dos 60 anos de idade a incidência de alterações varia de 5 a 7% entre pessoas sem nenhum sintoma de hipertireoidismo (quando a glândula trabalha em excesso) ou hipotireoidismo (situação em que há produção insuficiente de hormônio), acarretando, por exemplo, elevação do nível de colesterol.
8 Proteína C-Reativa
Esse importante marcador do risco cardiovascular mede indicadores de proteína C-reativa ultra-sensível (PCR) no sangue. Quando elevados, acusam a possibilidade de infarto e derrame. O exame deve ser anual para pacientes com risco cardíaco elevado.
9 Toque retal e PSA
Ambos se prestam ao rastreamento do câncer de próstata - a segunda causa de morte no homem, segundo a Sociedade Brasileira de Cancerologia. O toque retal averigua alterações no tamanho da glândula prostática. O segundo é um exame de sangue que, por meio da dosagem da proteína PSA (produzida pela próstata), pode indicar a existência de tumor não detectado no teste físico.
10 Papanicolau
Em conjunto com a colposcopia, destina-se à prevenção e diagnóstico de câncer do colo do útero. Porém, ambos têm encontrado resistência em pacientes mais idosas. Algumas mulheres alegam que não precisam mais fazer. Só que a incidência do câncer ginecológico aumenta com a idade.
11 Mamografia Nos últimos dez anos, a popularização desse teste fez cair em 30% as mortes por câncer de mama. Atualmente, está disponível no Brasil, a mamografia digital, técnica que expõe a paciente a menos radiação e pode visualizar um nódulo medindo apenas 0,3 mm.
12 Densitometria óssea
A medida da densidade do osso pode ser feita por um aparelho especial que utiliza raio-X. Hoje, o teste detecta perda de massa óssea mesmo se inferior a 1%, um grande avanço no diagnóstico da osteoporose. A mulher pós-menopausa é o principal alvo dessa doença e, na falta de tratamento, pode provocar dores e fraturas difíceis de consolidar.
13 Audiometria
Por meio de um aparelho, descobre se existe deficiência auditiva. Dentro de uma cabine, o paciente responde a diferentes sons e frequências, e o resultado é registrado em gráfico.